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Você sabia que escola de samba tem superintendente e pesquisador?
27/11/2009 20:23Conheça três funcionários de escolas de samba que são exemplos de como o carnaval se profissionalizou.
A escola de samba, da montagem nos barracões à beleza dos desfiles, passa por uma complexa estrutura empresarial. Novas funções foram criadas para que tudo dê certo na hora do espetáculo. É isso que o Bom Dia Rio mostra na série Samba S.A.
Nesta sexta-feira (27), na última reportagem, Mariana Gross entrevista três funcionários de escolas de samba que são exemplos de como o carnaval se profissionalizou.
Você sabia que escola de samba tem superintendente? O cargo inédito em outros barracões é ocupado na Vila Isabel por Wilson da Silva, conhecido como Wilsinho. Ele tem apenas 24 anos, mas cuida de todos os setores da escola.
“Faz parte do conselho de carnaval, das diretrizes do carnaval, de qual é o caminho que a escola vai tomar com relação a enredo e partida parte financeira”, afirma Wilson da Silva.
Na Beija-Flor, Fransérgio faz parte da comissão de carnaval. É ele quem comanda o setor de criação da escola que ocupa uma sala exclusiva no barracão. De pincel e nanquim na mão, ele vai desenhando as alegorias e fantasias que vão encantar a Sapucaí.
“A gente começa fazendo a parte do enredo, escolhendo o enredo. Assim que acaba o carnaval, a gente já começa a pesquisar qual vai ser o enredo, junto com a presidente da escola. Nós somos três carnavalescos e Laíla que formamos a comissão de carnaval. Então, a gente define o enredo, começa a pesquisa”, explica Fransérgio.
Toda a beleza dos desfiles precisa ser arquivada, guardada para a posteridade. Na Unidos da Tijuca, um centro de memória, recém criado, cuida disso o pesquisador Julio Cesar Farias, já tem catalogadas mais de quatro mil fotos e vídeos da escola.
“Quando as escolas do Grupo Especial vieram para a Cidade do Samba, os barracões eram enormes, e as escolas puderam se reestruturar,como se fosse uma empresa mesmo.e Então, toda escola na cidade do samba é setorizada. Com isso, o carnaval foi absorvendo outros profissionais que não do carnaval para trabalhar com o carnaval”, afirma.
Enquanto isso, no barracão da Vila Isabel, o superintendente Wilsinho arranja mais uma tarefa palpitar nas fantasias.
Na Beija-Flor, o esquema de trabalho também é parecido com o de uma fábrica. “É tudo dividido em setores, conforme uma empresa”, diz Fransérgio.
E no Centro de Memória da Unidos da Tijuca, fica a pergunta: todos podem conhecer o acervo da escola? “Daqui a 20 anos, se esta sala existir, eu não posso estar mais aqui, mas o centro de memória estará aqui. E alguém estará aqui no meu lugar, tomando conta desse acervo”, declara o pesquisador Júlio César Farias.
Fonte: G1.com
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